Quando Karl despertou, deparou-se abruptamente com a realidade de que havia se tornado uma divindade corrompida e incompleta, confinada em uma garrafa. Por mero acaso, a família Fischer tornou-se seu
A consciência estava imersa numa escuridão caótica, onde nada podia ser visto ou ouvido; tudo se resumia a uma confusão entorpecida, e das memórias fragmentadas quase nada podia ser consultado.
Quem sou eu?
Karl.
Uma alma em estado de ruína.
Aos poucos, Karl começou a recordar que talvez não se chamasse assim em sua vida anterior, mas sim Shen Ling, vindo de um mundo completamente diferente.
Sou um viajante entre mundos?
No interminável breu, em seu estado de alma despedaçada, Karl foi se lembrando de quem já fora.
Recém-formado numa universidade de destaque, arranjara um emprego em vendas empresariais; diariamente corria de um lado para o outro em busca do sustento, falando pelos cotovelos, até que, numa noite após o trabalho, um cliente bêbado insistiu em levá-lo até em casa.
A lembrança da vida anterior terminava aí. Ao que parecia, realmente fora “levado” por aquele cliente.
Karl percebeu que sua situação atual era das mais desfavoráveis: restava-lhe apenas uma pequena parte das memórias, e, no fundo da alma, dez “coisas” de naturezas tão distintas quanto pesadas oprimiam suas recordações.
Uma certeza instintiva lhe dizia que eram “selos” provenientes de diferentes existências; parecia que, se conseguisse rompê-los, mais lembranças retornariam.
No início, vagueou por muito tempo naquela escuridão, sem saber como mudar sua condição, até que, por acaso, absorveu um tênue fio de energia espiritual e sua alma começou a mostrar sinais de recuperação.
O selo menos pesado entre os dez finalmente deu um leve sinal d